O cenário era angustiante: uma baleia-franca, com um filhote recém-nascido ao lado, lutava há três dias para se livrar de uma rede de pesca presa à cabeça, na Praia da Pinheira, em Palhoça. O caso começou na quinta-feira (10), quando moradores e turistas flagraram o animal preso próximo à costa. Durante todo esse período, equipes oficiais como o IBAMA optaram por apenas monitorar a situação à distância, alegando que qualquer intervenção sem planejamento poderia colocar a vida do animal em risco.
No entanto, no domingo (13), um homem entrou em cena. Sem se identificar, ele foi até a baleia com uma prancha de stand-up paddle, usou o remo com delicadeza e conseguiu libertar o animal da rede. A cena foi registrada em vídeo e rapidamente ganhou as redes sociais. As imagens mostram o momento em que a baleia se afasta calmamente, com seu filhote, nadando livremente após o resgate.
O gesto comoveu o país, mas levantou um alerta: a legislação ambiental brasileira só permite que intervenções desse tipo sejam realizadas por profissionais credenciados e com autorização formal. Mesmo com o cuidado e o sucesso do resgate, o herói anônimo pode ser penalizado com multa por infração ambiental.
O protocolo oficial recomenda que em casos de enredamento de grandes mamíferos marinhos, nenhuma pessoa entre na água sem a presença de equipes especializadas. A justificativa é que ações sem treinamento adequado podem gerar riscos tanto para os animais quanto para os humanos envolvidos.
Durante os dias de espera, a baleia foi monitorada por drones em parceria com o Projeto Australis. O IBAMA avaliou que a rede presa não representava um risco iminente e que ela poderia se soltar naturalmente com o tempo, especialmente com o atrito nas calosidades da cabeça. Ainda assim, a resposta oficial foi vista com frustração por muitos.
As manifestações nas redes sociais foram intensas. Milhares de pessoas celebraram a coragem do homem e criticaram a morosidade das autoridades. Comentários destacaram a importância da compaixão, da ação imediata e do respeito à vida. “Quando o coração fala mais alto que a burocracia, nasce um herói”, escreveu uma internauta.
A Praia da Pinheira é conhecida por ser um berçário natural de baleias-francas, que visitam o litoral catarinense entre julho e novembro para reproduzir e amamentar seus filhotes. Casos de emalhamento em redes de pesca não são incomuns, e o episódio reacende discussões sobre a eficácia das políticas públicas, a fiscalização da pesca e os limites impostos à sociedade civil em situações de emergência ambiental.
Até agora, o autor do resgate não foi identificado — e talvez não queira ser. Mas seu gesto já marcou a memória coletiva de quem esteve na praia e de quem viu as imagens. Um ato de humanidade diante do silêncio da espera.
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